Raquel Oliveira

Pesquisa de Mestrado em Dança

logo Raquel Oliveira Artes do Espetáculo. Site da bailarina, coreógrafa e professora de Dança Raquel Oliveira.

CONCLUSÕES

 

Neste item apresenta-se a síntese dos resultados e da discussão através da verificação das hipóteses colocadas nesta pesquisa relativamente às Sevilhanas Normais observadas nos 15 vídeos didáticos. É feita também uma síntese conclusiva relativamente à Sevilhana Normal descrita por Otero (1912) e às Sevilhanas Boleras.

 

Inserindo-se no âmbito da análise do movimento dançado, este estudo refere-se à coreografia de Sevilhanas observada nos 15 vídeos didáticos selecionados, e tem como objetivo principal analisar e sistematizar a coreografia de Sevilhanas Normais apresentando-a de forma esquematizada, numa tabela chamada Esquema Coreográfico e que indica a estrutura musical, a estrutura coreográfica, a estrutura espacial e a terminologia associada aos passos. Para cumprir o objetivo principal definido, nomeadamente analisar e sistematizar a coreografia de Sevilhanas Normais, foram concretizados os 3 objetivos específicos propostos.

 

Os contributos desta pesquisa são ao nível da componente coreográfica das Sevilhanas, estando a análise baseada no método de observação sistemática do movimento e no estudo comparativo das informações coreográficas recolhidas. A definição de uma estrutura coreográfica vai no sentido de potenciar a aprendizagem das Sevilhanas ao trazer clareza na visualização mental da coreografia, contribuindo para a memorização dos passos e a assimilação da coreografia. A proposta de terminologia para os passos da coreografia facilita a comunicação necessária à aprendizagem motora. Concluído o estudo, confirma-se a utilidade do Esquema Coreográfico que permite anotar um grande número de informações relativas à coreografia, sendo uma ferramenta com utilidade na observação, no registo e na comparação de coreografias; no processo de ensino-aprendizagem; ou mesmo na criação de novas coreografias de Sevilhanas.

 

A pesquisa efetuada permitiu comprovar as 6 hipóteses avançadas no início do estudo, no que diz respeito às 15 coreografias da amostra selecionada:

 

Hipótese 1 - Existe apenas uma coreografia de Sevilhanas Normais e várias versões dessa coreografia.

 

As 15 coreografias observadas mantêm, num nível de observação macro e meso, os mesmos passos e a mesma ordem de execução, de forma que é possível afirmar que se trata sempre da mesma coreografia. Num nível de observação micro foram identificadas variantes que permitem confirmar a existência de diferentes versões da coreografia.

 

Hipótese 2 - É possível identificar uma estrutura coreográfica, comum às diferentes versões.

 

Foi identificada a existência de uma Estrutura de Composição Coreográfica observável nas diferentes versões da coreografia de Sevilhanas Normais, constituindo uma base-comum essencial para potenciar o ensino-aprendizagem das Sevilhanas.

 

Hipótese 3 - Num nível de observação macro, a coreografia de Sevilhanas Normais apresenta uma organização que prevê uma série de 4 sequências coreográficas, que por sua vez estão divididas em 3 blocos.

 

A coreografia de Sevilhanas Normais compõe-se de 4 sequências coreográficas independentes (cada sequência tem princípio, meio e fim), que são executadas consecutivamente (4 coplas dançadas que se designam como 1.ª Sevilhana, 2.ª Sevilhana, 3.ª Sevilhana e 4.ª Sevilhana). Cada uma das 4 sequências coreográficas tem a duração de 37 compassos musicais e divide-se em 3 blocos (3 tercios) de 12 compassos cada. O compasso final, 37.º compasso, destaca-se e não é contabilizado na divisão dos blocos (Durand-Viel, 1983; Otero, 1912).

 

A música de Sevilhanas compõe-se também de 4 sequências musicais independentes. Cada uma das sequências tem uma introdução musical, com um número de compassos variável de música para música, e durante essa introdução musical os bailarinos, ou dançarinos, estão colocados na Actitud Inicial para dar início à respetiva sequência coreográfica. Esta parte da introdução musical não é considerada pelos autores consultados como fazendo parte da sequência coreográfica, visto que não há movimento, mas apenas uma postura e, por isso, os compassos de introdução musical não são contabilizados como fazendo parte dos 37 compassos da sequência coreográfica.

 

Hipótese 4 - Num nível de observação meso, identifica-se constantes coreográficas que permitem, em conjunto com as constantes já mencionadas na revisão bibliográfica, definir uma estrutura de composição coreográfica das Sevilhanas Normais.

 

Foram identificadas constantes coreográficas que permitem definir a Estrutura de Composição Coreográfica das Sevilhanas Normais em 2 componentes: a Estrutura Coreográfica Base (os pontos em comum entre as 4 sequências coreográficas), e a Estrutura Coreográfica Específica (a forma como cada uma das 4 sequências coreográficas está organizada).

 

É possível reconhecer a Estrutura Coreográfica Base, através da identificação das Constantes Coreográficas Base, ou seja, os Passos Básicos Estruturantes, que se

observam nos compassos de Introdução Vocal e nos compassos 1, 2, 11, 12, 13, 14, 23, 24, 25, 26, 36 e 37:

- A Actitud Inicial realiza-se durante a Introdução Vocal de todas as sequências coreográficas;

- O 1.º Paseo, ou Paseillo, faz-se no início de todos os 1.ºs blocos (1.º e 2.º compasso, após a Introdução Vocal);

- A 1.ª Pasada Intermedia realiza-se no final de todos os 1.ºs blocos (11.º e 12.º compasso);

- O 2.º Paseillo (básico estruturante) repete-se no início de todos os 2.ºs blocos (13.º e 14.º compasso);

- A 2.ª Pasada Intermedia realiza-se no final de todos os 2.ºs blocos (23.º e 24.º compasso);

- O 3.º Paseillo (básico estruturante) repete-se no início de todos os 3.ºs blocos (25.º e 26.º compasso);

- A Vuelta Final, e a Actitud, realizam-se no final de todos os 3.ºs blocos (36.º e 37.º compasso).

 

É ainda possível reconhecer a Estrutura Coreográfica Específica, através da identificação das Constantes Coreográficas Específicas, ou seja, os Passos Específicos utilizados em cada uma das 4 sequências coreográficas, e que se realizam entre o Paseo (ou Paseillo) e a Pasada Intermedia de cada 1.º bloco; entre o Paseillo (básico estruturante) e a Pasada Intermedia de cada 2.º bloco; e entre o Paseillo (básico estruturante) e a Vuelta a Izquierda e Actitud Final de cada 3.º bloco.

 

Assim, as Constantes Coreográficas Específicas são:

- Os 4 Paseillos Seguidos no 1.º bloco, as 4 Matalarañas-Paraditas no 2.º bloco, e as 4 Pasadas Seguidas e 1 Passo de Ligação no 3.º bloco, da 1.ª Sevilhana;

- 1 Passo de Ligação, os 3 Saleritos-Arrastres-Apoyos, 1 Passo de Ligação e 1 Vuelta a Izquierda no 1.º bloco; 1 Passo de Ligação, os Pasos de Vals Adelante, 1 Passo de Ligação e 1 Vuelta a Izquierda no 2.º bloco; 1 Passo de Ligação, os Pasos de Vals Adelante realizados em círculo com o par, e 1 Passo de Ligação no 3.º bloco, da 2.ª Sevilhana

- 1 Passo de Ligação, 1 Vuelta a Izquierda, colocação de Perfil e os Sostenidos com o pé direito, 1 Vuelta a Derecha, colocação de Perfil e Sostenidos com o pé esquerdo no 1.º bloco; 1 Passo de Ligação, 3 Zapateados, e 1 Vuelta a Izquierda no 2.º bloco; 1 Pasada, 1 colocação de Perfil e Sostenidos com o pé direito, 1 Pasada, 1 colocação de Perfil e Sostenidos com o pé esquerdo, e 1 Passo de Ligação no 3.º bloco, da 3.ª Sevilhana

- 1 Passo de Ligação, 1 Vuelta a Izquierda, 1 Passo Específico (Asamblé ou Paseillo), 1 Passo de Ligação, 1 Vuelta a Derecha, 1 Passo Específico (Asamblé ou Paseillo) no 1.º bloco; 1 Passo de Ligação, 2 Careos, 2 Pasos de Vals, 1 Careo e 1 Passo de Ligação, 1 Vuelta a Izquierda no 2.º bloco; 1 Passo de Ligação, 7 Careos e 1 Passo de Ligação no 3.º bloco, da 4.ª Sevilhana.

 

Resumindo, a 1.ª Sevilhana é a dos Paseillos Seguidos, das Matalarañas-Paraditas e das Pasadas Seguidas; a 2.ª Sevilhana é a dos Saleritos-Arrastres, dos Pasos de Vals Adelante no sítio e dos Pasos de Vals Adelante a rodar com o par; a 3.ª Sevilhana é a dos Sostenidos intercalados pelas Vueltas, dos Zapateados e dos Sostenidos intercalados pelas Pasadas; e a 4.ª Sevilhana é a dos Asamblés intercalados pelas Vueltas, dos Careos intercalados pelos Pasos de Vals e dos Careos Seguidos.

 

Hipótese 5 - Num nível de observação micro, existem variantes à coreografia que conduzem à identificação das diferentes versões da coreografia de Sevilhanas Normais.

 

As versões mais significativas observam-se no 3.º bloco da 2.ª Sevilhana, nos diferentes Passos Específicos utilizados para percorrer o trajeto circular; no 1.º bloco da 3.ª Sevilhana, na utilização da Pasada Intermédia ou do Cruce de Espaldas; no 2.º bloco da 3.ª Sevilhana, nos diferentes Zapateados utilizados e nos diferentes compassos em que o Zapateado é executado; no 1.º bloco da 4.ª Sevilhana, nos diferentes Passos Específicos executados nos compassos 5, 6, 9 e 10; e nos vários Passos de Ligação utilizados ao longo da coreografia.

 

Hipótese 6 – A música de Sevilhanas Normais apresenta uma organização que prevê uma série de 4 sequências musicais, que por sua vez estão divididas em 4 partes.

 

A música de Sevilhanas Normais compõe-se de 4 sequências musicais independentes (cada sequência tem princípio, meio e fim), que são executadas consecutivamente (4 coplas que se designam como 1.ª Sevilhana, 2.ª Sevilhana, 3.ª Sevilhana e 4.ª Sevilhana). Cada uma das 4 sequências musicais tem a duração mínima de 43 compassos musicais e divide-se em 4 partes: a Introdução instrumental e vocal, que corresponde à Actitud Inicial dos bailarinos; o 1.º estribilho instrumental / 1.ª parte vocal, que corresponde ao 1.º bloco da sequência coreográfica; o 2.º estribilho instrumental / 2.ª parte vocal, que corresponde ao 2.º bloco da sequência coreográfica; e o 3.º estribilho instrumental / 3.ª parte vocal, que corresponde ao 3.º bloco da sequência coreográfica.

 

Fruto da experiência profissional que permitiu a observação de inúmeras versões da coreografia de Sevilhanas Normais, para além dos vídeos didáticos utilizados nesta pesquisa, é possível afirmar com relativa segurança que as 6 hipóteses apresentadas se comprovariam também numa pesquisa mais abrangente que incluísse um maior número de coreografias observadas e analisadas, ou seja, seria possível identificar mais versões diferentes da coreografia de Sevilhanas Normais e reconhecer a manutenção da Estrutura Coreográfica Base e da Estrutura Coreográfica Específica.

 

Em termos gerais, e para o âmbito específico deste estudo, pode concluir-se o seguinte:

 

Existe uma lógica de organização coreográfica entre os diferentes blocos de cada sequência coreográfica (intra Sevilhanas):

 

Em todas as coreografias de Sevilhanas Normais, observadas nos vídeos didáticos, os 3 blocos da 1.ª Sevilhana têm uma lógica de organização idêntica:

- Os 3 blocos começam com 1 Paseo/Paseillo (Passo Básico Estruturante);

- E todos repetem 4 passos seguidos de 6 tempos cada (o Passo Específico 4 Paseillos Seguidos, no 1.º bloco; o Passo Combinado 4 Matalarañas-Paraditas, no 2.º bloco; e o Passo Específico 4 Pasadas Seguidas, no 3.º bloco);

- O 1.º e 2.º bloco acabam com uma Pasada Intermédia;

- E o 3.º bloco acaba com o Passo de Ligação e a Vuelta.

 

Na maioria das coreografias de Sevilhanas Normais, observadas nos vídeos didáticos, os 3 blocos da 2.ª Sevilhana têm uma lógica de organização idêntica:

- Os 3 blocos começam com 1 Paseo/Paseillo (Passo Básico Estruturante) e 1 Passo de Ligação, fazendo correspondência com o Estribilho Instrumental;

- E todos repetem o respetivo Passo específico, um determinado número de vezes (3 Saleritos-Arrastre-Apoyos, no 1.º bloco; 5 Pasos de Vals, no 2.º bloco; e 7 Pasos de Vals em círculo, no 3.º bloco);

- Nos 3 blocos utiliza-se 1 Passo de Ligação para fazer a Vuelta à Izquierda;

- O 1.º e 2.º bloco acabam com uma Pasada Intermédia;

- E o 3.º bloco acaba com o Paso de Ligação e a Vuelta.

 

Na maioria das coreografias de Sevilhanas Normais, observadas nos vídeos didáticos, o 1.º e 3.º bloco da 3.ª Sevilhana têm uma lógica de organização idêntica e o 2.º bloco organiza-se de forma diferenciada:

- Os 3 blocos começam com 1 Paseo/Paseillo (Passo Básico Estruturante);

- O Passo Específico do 1.º bloco é o Sostenido, intercalado pelas Vueltas (faz-se Vuelta e Sostenido para um lado e repete-se a Vuelta e Sostenido para o outro);

- E o Passo Específico do 3.º bloco é o Sostenido, intercalado pelas Pasadas (faz-se Pasada e Sostenido para um lado e repete-se a Pasada e Sostenido para o outro);

- O 2.º bloco é o único que tem Zapateados, seguidos de 1 Passo de Ligação e Vuelta;

- O 1.º e 2.º bloco acabam com uma Pasada Intermédia;

- E o 3.º bloco acaba com o Passo de Ligação e a Vuelta.

 

Na maioria das coreografias de Sevilhanas Normais, observadas nos vídeos didáticos, os 3 blocos da 4.ª Sevilhana têm uma lógica de organização mista:

- Os 3 blocos começam com 1 Paseo/Paseillo (Passo Básico Estruturante) e 1 Passo de Ligação, fazendo correspondência com o Estribilho Instrumental;

 

- O 1.º bloco organiza-se de forma diferenciada, realizando Vuelta e Asamblé para um lado e repetindo a Vuelta e Asamblé para o outro;

- No 2.º bloco troca-se de lugar 2 vezes através dos Careos, que são intercalados pelos Pasos de Vals;

- E no 3.º bloco troca-se de lugar 4 vezes através dos Careos;

- Depois dos Careos, no 2.º e 3.º bloco, utiliza-se 1 Passo de Ligação para fazer a Vuelta à Izquierda;

- O 1.º e 2.º bloco acabam com uma Pasada Intermédia;

- E o 3.º bloco acaba com o Passo de Ligação e a Vuelta.

 

Existe ainda uma lógica de organização coreográfica entre as diferentes sequências coreográficas (inter Sevilhanas):

 

- A 1.ª Sevilhana tem mais correspondências com a 3.ª Sevilhana: nos 2.ºs blocos, com os passos Matalaraña-Paradita (1ª Sev.) e Matalaraña-Redobles (3ª Sev.); e nos 3.ºs blocos, com as Pasadas.

- A 2.ª Sevilhana tem mais correspondências com a 4.ª Sevilhana, também nos 2.ºs e 3.ºs blocos: nos passos Específicos utilizados, Pasos de Vals e Careos (o Careo é um Paso de Vals atrás com deslocação); e na lógica de organização dos passos, Paseillo, Passo de Ligação, Passo Específico, Preparación e Vuelta.

- Relativamente aos 1.ºs blocos, a correspondência verifica-se de forma diferente: há afinidades entre a 1.ª e 2.ª Sevilhana, com a utilização de passos com a duração de 6 tempos cada, os Paseillos e os Saleritos-Arrastres-Apoyos; e entre a 3.ª e 4.ª Sevilhana, na lógica de organização dos passos, que é idêntica (Vuelta a Izquierda e Passo Específico e Vuelta a Derecha e Passo Específico).

 

Existe uma correspondência parcial entre a estrutura musical e a estrutura coreográfica nas Sevilhanas Normais.

 

Segundo os resultados obtidos na pesquisa, a estrutura coreográfica tem mais correspondências com a estrutura instrumental do que com a estrutura vocal da música de Sevilhanas. Uma música típica de Sevilhanas começa com uma Introdução Instrumental, que prepara a entrada do cantor e da sua Introdução Vocal. Por sua vez, esta Introdução Vocal é a deixa para se começar a dançar, e o primeiro passo de cada sequência coreográfica, e de cada bloco, (Paseo, no 1.º bloco; e Paseillo, no 2.º e 3.º bloco), é executado durante os 2 primeiros compassos dos Estribilhos Instrumentais. Das 4 sequências coreográficas, a 1.ª e 3.ª Sevilhana são as que têm menos correspondências com a estrutura vocal da música, enquanto a 2.ª e 4.ª Sevilhana, para além da correspondência com a estrutura instrumental, têm também algumas correspondências com a estrutura vocal, resultantes da utilização dos Passos de Ligação nos 3.ºs compassos dos

Estribillos Instrumentais (correspondência com a estrutura instrumental) que dão lugar à execução do passo seguinte em sincronia com o início da copla cantada.

 

Quanto à estrutura rítmica do movimento, a pesquisa centrou-se na identificação do conjunto de movimentos efetuados pelos membros inferiores a que se pode atribuir um significado para chegar ao nome de cada passo, logo, por existirem grandes variações nas acentuações fracas e fortes ao nível da estrutura rítmica de movimento dos membros inferiores, optou-se pela não vinculação a nenhuma acentuação, recorrendo apenas à identificação dos tempos de execução de cada movimento que constitui cada passo.

 

No que respeita aos movimentos dos membros superiores, braços e mãos, apesar de a pesquisa não ter contemplado a análise destas componentes coreográficas, é possível avançar com a seguinte constatação: tal como a música de Sevilhanas tem uma natureza de polirritmia (García Matos, 1971), a estrutura rítmica do movimento dos membros inferiores é diferenciada da estrutura rítmica do movimento dos membros superiores. Por exemplo, num Paseillo, que tem a duração de 6 tempos musicais, os pés fazem 6 movimentos (1 movimento para cada tempo musical) e o braço faz apenas 2 movimentos (desce e sobe num movimento circular), enquanto as mãos também fazem 2 movimentos (um movimento circular para fora e um movimento circular para dentro). Estas diferenças na duração, na coordenação e na qualidade de movimento dos membros inferiores e dos membros superiores são uma das razões apontadas neste estudo para a complexidade e nível de dificuldade de execução desta dança. Enquanto a grande maioria das danças tradicionais tem um maior ênfase no movimento dos membros inferiores, mantendo os membros superiores em posições estáticas, as Sevilhanas requerem uma coordenação intrincada entre o elaborado movimento dos membros inferiores, dos braços e das mãos (os pés sempre em movimento, um braço desce e sobe descrevendo um círculo enquanto outro braço se mantém imobilizado e as duas mãos descrevem um círculo para fora e um círculo para dentro). A utilização das castanholas ainda atribui maior complexidade a todo o processo de coordenação, as mãos não descrevem os círculos, mas têm de tocar as castanholas no ritmo da música, em coordenação com os movimentos dos membros inferiores e dos braços.

 

Ainda para o âmbito específico deste estudo, conclui-se o seguinte:

 

Relativamente à comparação das coreografias de Sevilhanas Normais observadas nos vídeos com a coreografia de Sevilhanas Normais descrita por Otero (1912), foram encontradas algumas diferenças nos passos utilizados, mas o essencial da coreografia e da estrutura foi preservado. As diferenças mais significativas observam-se na introdução, no 3.º bloco da 2.ª Sevilhana, no compasso 11 e 12 da 3.ª Sevilhana, e no 2.º bloco da 3.ª Sevilhana.

No que diz respeito à comparação entre as 2 coreografias de Sevilhanas Boleras de 4 Coplas (Moreno, 198-; Salado, 2003) e a coreografia de Sevilhanas Boleras de 3 Coplas (Saura, 1992) observadas, os Passos Específicos são os mesmos, mas executados com uma técnica diferente. As Sevilhanas Boleras de 4 Coplas são interpretadas num estilo popular, com sapatos de saltos, e as Sevilhanas Boleras de 3 Coplas são interpretadas com técnica de Dança Clássica e com sapatilhas de Ballet.

 

Comparando a Sevilhana Bolera de 3 Coplas observada em Saura (1992) com a descrição da Sevilhana Bolera de 3 Coplas de García Matos (1971) considera-se que, em traços gerais, as coreografias são idênticas, mas a primeira é dançada com um estilo clássico académico e a segunda será dançada com um estilo popular.

 

Da comparação entre as Sevilhanas Normais e as Sevilhanas Boleras analisadas comprova-se que a coreografia das Sevilhanas Normais é diferente da coreografia das Sevilhanas Boleras, no entanto, apesar desta diferença, a Estrutura Coreográfica Base é a mesma, tal como referido na literatura (Carretero Munita, 1980).

 

A existência de uma Estrutura Coreográfica fixa nas Sevilhanas permite muita liberdade criativa, quer seja para adornar os passos que a compõem, tornando-os mais complexos, quer seja para os simplificar e tornar mais fáceis de aprender e executar. É mais fácil improvisar quando existe uma base fixa que se conhece bem, onde intuitivamente podem surgir novos movimentos e ter sempre a segurança de regressar à coreografia original, do que quando se improvisa sem referências. O facto de existir uma Estrutura fixa também permite desconstruí-la e organizar as suas componentes de outras formas, surgindo daqui novas formas de composição coreográfica que podem dar origem a novas versões da coreografia original ou mesmo coreografias diferentes.

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